Cada dia que passa as pressões contra e a favor da PL 122 aumentam, Para quem não sabe a PL 122 é o projeto de lei que criminaliza a homofobia. E a maior manifestação por parte das organizações em prol dos direitos homossexuais, é a parada gay que acontece em diversas cidades pelo Brasil.
Uma parada é uma grande festa, um carnaval fora de época, trios elétricos, beijo na boca, pega daqui pega dali, um momento que os homossexuais tem para extravasar! Mas e o protesto? A manifestação? a luta pelos direitos? Onde fica o objetivo de quem organiza o evento? Será que uma parada gay é de fato positiva para conscientizar autoridades, pessoas avessas aos direitos homossexuais ou quem ainda não tem opinião formada sobre o assunto?
Eu estive em Itaboraí, cidade da região metropolitana do Rio que organizou esse ano sua primeira parada GLSBTUVXZ, veja você como foi essa festa.
De acordo com os organizadores da parada gay de Itaboraí, o evento deveria ser na Praça Marechal Floriano Peixoto, mas devido a um veto do padre, e apesar da organização afirmar que o prefeito Sérgio Soares apoiou o evento parece é que ele acatou a ordem do líder religioso, a parada gay aconteceu num canto isolado de pouquíssimo movimento e iluminação precária. Qualquer semelhança de Itaboraí com pequenas províncias, como a fictícia Brogodó, é mera coincidência.
Assim como nas grandes paradas, a primeira parada gay de Itaboraí também teve seus políticos aproveitando para uma campanhazinha fora de época. Os que não puderam comparecer mandaram seus puxa sacos oficiais.
Haja saco pra se puxar! Bom, de fato a intenção de quem organiza uma parada gay é reivindicar os direitos dos homossexuais, mas na prática isso acaba saindo de controle e o foco vira outro, o que vemos são imagens assustadoras, quem não é a favor de leis como a PL 122 acaba usando essas imagens a seu favor.
As paradas só mostram um quantitativo, mas só isso não é o bastante, os grupos homossexuais ou os a favor de tais leis precisam ser mais políticos. Vocês viram aqui no meu blog o que os organizadores de bailes funk estão fazendo para que seus bailes aconteçam nas comunidades. Eles foram até a Alerj e estão lutando politicamente para que isso aconteça. Aparada gay não pode ser o principal ato de protesto. Que seja um ato para comemorar as manifestações políticas e sociais.
E enquanto se faz esse carnaval colorido por todo o Brasil, gays continuam sendo espancados, assassinados, excluídos, pelo simples fato não ser igual. A Avenida Paulista, por exemplo, virou um verdadeiro campo de massacre, lá você nem precisa ser gay para apanhar, basta andar com um amigo para levar porrada! E para os intolerantes, os fanáticos religiosos, os conservadores, ver o que se vê numa parada gay apenas alimenta seu ódio.
Durante a parada tudo bem, ninguém vai se meter à besta em agredir um gay no meio de todo mundo, afinal esses valentões são grandes covardes, mas quando a festa acabada os mal amados machões estarão nas esquinas esperando para abocanhar suas presas, é o que sempre acontece.
Tiago Atzevedo